A Justiça do Reino Unido concluiu que a mineradora BHP tem responsabilidade direta pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), ocorrido em 2015. A decisão representa um avanço significativo no processo que busca reparação para centenas de milhares de atingidos pelo desastre, considerado o maior da história do país em danos ambientais.
Segundo o tribunal, a BHP ignorou alertas técnicos que indicavam o risco crescente de colapso da estrutura. Mesmo diante de sinais de infiltração, saturação e problemas estruturais, a barragem continuou sendo elevada, o que contribuiu para tornar o rompimento inevitável.
O desastre deixou 19 mortos, devastou comunidades inteiras e provocou danos ambientais severos ao longo de todo o Rio Doce. Milhões de metros cúbicos de rejeitos foram despejados no ecossistema, causando impactos que ainda estão sendo sentidos dez anos após a tragédia.
A decisão da Justiça britânica abre caminho para que o processo avance para a etapa de definição de indenizações, que podem alcançar valores bilionários. Uma nova audiência está prevista para outubro de 2026, quando serão analisados os critérios para cálculo das compensações.
A BHP declarou que pretende recorrer, mas afirmou que segue comprometida com ações de reparação no Brasil por meio de acordos firmados junto às demais empresas responsáveis.





