O que seria uma aposentadoria tranquila após seis décadas dedicadas à medicina transformou-se em um caso policial para o cardiologista Victor Murad, de 90 anos. Fundador da Sociedade de Cardiologia do Espírito Santo, o médico afirma ter sido vítima de um plano de envenenamento e fraude financeira supostamente praticado por sua secretária de confiança, Bruna Garcia.
Em relato emocionado, Murad descreveu o sentimento de traição.
“Foi uma crueldade o que ela fez comigo. Uma crueldade. Me traiu terrivelmente.”
Bruna Garcia trabalhava na clínica desde 2013, após ser indicada pela própria mãe, que atuou como faxineira do médico por duas décadas. Ao longo de 12 anos, segundo o relato, ela passou a administrar integralmente as finanças do cardiologista.
“Confiava cegamente nela, foi esse meu mal. Ela encanta qualquer um. É uma serpente.”
Desvios financeiros
De acordo com as investigações do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), o médico não utilizava ferramentas digitais como PIX, delegando à secretária a gestão das movimentações bancárias.
Segundo o MPES, essa autonomia teria possibilitado o desvio de mais de R$ 500 mil, por meio de transferências para parentes da suspeita, uso de cartões de crédito e contratação de empréstimos bancários sem autorização.
As irregularidades vieram à tona quando o médico e a esposa tentaram realizar uma operação bancária e constataram saldo insuficiente. Conforme o relato, o gerente do banco teria atribuído a situação a supostos gastos elevados do próprio cliente.
Suspeita de envenenamento
Segundo o Ministério Público, o caso não se limita aos desvios financeiros. A suspeita é de que a investigada teria administrado arsênio ao médico — substância altamente tóxica que pode causar arritmia, anemia e até morte — com o objetivo de evitar que as fraudes fossem descobertas.
Em entrevista ao Fantástico, o promotor de Justiça Rodrigo Monteiro detalhou a linha de investigação.
“Esses desvios estavam na iminência de serem descobertos. Com o objetivo de ocultar a responsabilidade, matá-lo poderia ajudar a evitar que as fraudes viessem à tona.”
O caso segue sob investigação do Ministério Público do Espírito Santo. Até o momento, a defesa da suspeita não havia se manifestado publicamente sobre as acusações.




