A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) anunciou novas diretrizes para o monitoramento e controle do colesterol, trazendo mudanças que tornam mais rígidas as metas de prevenção de doenças cardiovasculares. O documento foi apresentado na última sexta-feira (19), durante o congresso anual da entidade, e substitui a versão anterior publicada em 2017.
Entre as novidades estão a redução das metas de LDL — conhecido como “colesterol ruim” — para pacientes de baixo risco, a criação de uma nova categoria chamada “risco extremo” e a recomendação da realização de um novo exame que avalia proteínas ligadas a maior predisposição a infartos.
Segundo a SBC, as mudanças seguem padrões internacionais atualizados e buscam frear a progressão da aterosclerose, condição inflamatória causada pelo acúmulo de gordura nas artérias e considerada a principal responsável pelas doenças cardiovasculares. No Brasil, esses problemas respondem por cerca de 400 mil mortes ao ano, o equivalente a 45 óbitos por hora.
Metas mais rígidas
Para pacientes de baixo risco cardiovascular, a meta do LDL foi reduzida de 130 mg/dL para 115 mg/dL.
“Ao paciente de baixo risco com colesterol LDL acima de 115 mg/dL, devem ser recomendadas mudanças no estilo de vida e, se estiver acima de 145 mg/dL e ele já estiver fazendo essas mudanças, ele deve receber tratamento com medicamento redutor de LDL”, explicou Maria Cristina Izar, presidente da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp) e uma das autoras da diretriz.
Nova categoria de risco
Além das classificações já existentes (baixo, intermediário, alto e muito alto), foi criada a categoria “risco extremo”. Ela abrange pacientes que, mesmo em tratamento com estatinas potentes, apresentam novos eventos cardiovasculares ou têm doenças em múltiplos vasos, como coronária obstrutiva associada a comprometimento carotídeo ou arterial periférico.
Para esse grupo, a meta do LDL foi reduzida para até 40 mg/dL — antes, a recomendação mais rígida era de 50 mg/dL para pacientes de risco muito alto.
“Temos que ser mais rigorosos com esse paciente de risco extremo porque, se ele está se tratando e a aterosclerose continua progredindo, precisamos reduzir ainda mais o LDL colesterol dele”, destacou Maria Cristina Izar.
Metas definidas por categoria
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Baixo risco: menor que 115 mg/dL
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Intermediário: menor que 100 mg/dL
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Alto risco: menor que 70 mg/dL
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Muito alto risco: menor que 50 mg/dL
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Extremo: menor que 40 mg/dL
A nova diretriz também estabelece metas para o colesterol não-HDL, considerado outro marcador de risco. Ele deve ser 30 mg/dL acima da meta de LDL de cada paciente, conforme sua categoria.
Com as mudanças, a SBC espera reforçar a prevenção, orientar médicos e estimular a população a realizar exames regulares para reduzir o impacto das doenças cardiovasculares, principal causa de morte no país.
Principais mudanças da nova diretriz:
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Redução da meta de LDL para pacientes de baixo risco: de 130 mg/dL para 115 mg/dL.
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Criação da categoria “risco extremo” para pacientes com eventos cardiovasculares recorrentes, mesmo em tratamento.
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Meta de LDL para risco extremo: até 40 mg/dL.
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Definição de metas para colesterol não-HDL (30 mg/dL acima da meta individual de LDL).
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Reforço na recomendação de exames preventivos para toda a população.





