Uma sequência de quatro assassinatos entre os dias 12 e 16 de novembro de 2024 em três cidades capixabas marcou uma brutal disputa por tráfico de drogas entre as regiões de Zumbi dos Palmares e Pingo D’ Ouro (bairro Santa Rita), em Vila Velha. O que começou com uma tentativa de homicídio evoluiu para uma onda de vingança.
A Polícia Civil, por meio da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Vila Velha, detalhou o caso em coletiva de imprensa nesta terça-feira (30).
O delegado Cleudes Junior explicou que a violência se deu pela disputa entre as facções rivais: Terceiro Comando Puro (TCP), que domina Zumbi dos Palmares, e Primeiro Comando de Vitória (PCV), que atua em Pingo D’ Ouro.
A investigação da DHPP começou com a morte de Mario Miguel Santos Antunes, vulgo “Guzadinha”, de 19 anos, e acabou revelando a sequência complexa dos crimes.
Os assassinatos de “Japa” e Yhorran de Aquino Silva, vulgo “Dibala”, em Guarapari e Cariacica, respectivamente, têm fortes indícios de terem sido motivados por uma vingança familiar.
O pai de Mario (“Guzadinha”) seria um dos gerentes do tráfico em Zumbi dos Palmares. Segundo o delegado, no mundo do crime, há uma regra de retaliação imediata quando um membro da família de um líder é morto.
“O tráfico tem suas próprias regras, e entre elas falam muito em ‘safar’ a vida familiar. Então, como foi o filho de um dos gerentes do tráfico, possivelmente ele tenha se movimentado, porque a resposta foi muito rápida. Possivelmente foi uma retaliação, uma resposta pelo homicídio do Guzadinha”, frisou o delegado Cleudes Junior.
O delegado também revelou uma “praxe” usada pelos criminosos para garantir a própria vingança: quando Japa sofreu a tentativa de homicídio, ele apontou um nome falso para a polícia, permitindo que Mario (“Guzadinha”) ficasse solto para ser morto em retaliação, mas o plano de Japa e Dibala acabou voltando contra eles próprios em seguida.





