A Polícia Civil concluiu que o psicanalista de 63 anos preso preventivamente na última quarta-feira (24) em Vila Velha por estupro de vulnerável utilizava sua posição profissional para cometer os abusos contra pacientes adolescentes. As investigações da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) indicam que os crimes ocorriam tanto em seu consultório particular quanto em sessões gratuitas que ele oferecia em uma igreja.
O nome do suspeito e das vítimas não será divulgado, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Abuso disfarçado de “explicação”
A investigação mais recente começou em março deste ano, após uma vítima de 12 anos relatar os abusos à psicóloga da escola, que, junto com os pais da adolescente, procurou a delegacia.
A delegada Thais Cruz detalhou a forma como o psicanalista agia, transformando o abuso em um suposto “exemplo” ou “explicação”:
“Foi relatado que quando ela foi mostrar um machucado na coxa, ele tocou na parte íntima dela e ela ficou assustada. Diante da reação da menina, ele disse: ‘eu vou te explicar o que é um abuso sexual’. Então ele tocava no seio, tocava na parte íntima dela, dizendo que aquilo era crime, e praticava o ato”, explicou a delegada.
Os atendimentos aconteciam em um escritório dentro da casa do suspeito. Segundo a delegada, o homem tinha um perfil social acima de qualquer suspeita: ele era bem-casado, pai de família, evangélico e formado em teologia.
Estratégia para Conquistar a Confiança
A investigação apontou que o psicanalista utilizava táticas para conquistar a confiança e o silêncio das vítimas. A adolescente de 12 anos, por exemplo, guardou o segredo por um tempo até conseguir relatar na escola.
A Polícia Civil descobriu que o suspeito oferecia presentes e tentava criar um laço de proximidade com as adolescentes.
“Chamou a atenção nossa que ele também pediu para essa vítima segurar bichinhos de pelúcia durante sessões para ele fotografar”, acrescentou a delegada, indicando uma tentativa de criar um ambiente de falsa inocência e confiança para as vítimas.
O psicanalista foi preso com mandado de prisão preventiva e de busca e apreensão.





