Por muitos anos, a famosa medida de pressão 12 por 8 (120/80 mmHg) foi sinônimo de saúde perfeita. Ao sair do consultório com esse resultado, a maioria das pessoas se sentia tranquila, com a certeza de que o coração estava em dia. Agora, uma nova diretriz médica, lançada durante o 80º Congresso Brasileiro de Cardiologia, está mudando essa percepção.
De acordo com o documento, elaborado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) e Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH), a pressão 12 por 8 deixa de ser considerada “normal” e entra para a categoria de pré-hipertensão.

Por que essa mudança?
A nova classificação não significa que todos com essa pressão já são hipertensos. Na verdade, o objetivo é acender um sinal de alerta precoce. Estudos científicos recentes mostram que mesmo elevações discretas na pressão arterial, como a de 12 por 8, aumentam o risco de problemas cardiovasculares a longo prazo, como infarto, AVC e insuficiência cardíaca.
A reclassificação, que já alinha o Brasil a diretrizes internacionais, visa incentivar a prevenção de forma mais rigorosa. Em vez de esperar que a pressão suba para os níveis de hipertensão (14 por 9 ou mais), os médicos agora têm uma base para orientar pacientes a agirem proativamente.
O que fazer se sua pressão é 12 por 8?
A boa notícia é que, na maioria dos casos, a pré-hipertensão não exige o uso de medicamentos. O foco principal é na mudança de hábitos. As recomendações incluem:
- Redução do sal: diminuir o consumo de sódio, presente em alimentos ultraprocessados, é crucial.
- Atividade física regular: a prática de exercícios ajuda a controlar o peso e fortalecer o sistema cardiovascular.
- Alimentação saudável: uma dieta rica em potássio, cálcio, magnésio e fibras, como frutas, vegetais e grãos integrais, contribui para a saúde do coração.
- Controle do estresse: o estresse crônico é um fator de risco para a hipertensão. Buscar formas de relaxamento, como meditação ou hobbies, é fundamental.
- Redução do consumo de álcool.
- Parar de fumar.
A nova diretriz enfatiza que a atenção médica e o monitoramento da pressão arterial de forma regular são essenciais para todos que se encaixam nesse novo parâmetro. A meta é clara: evitar que a pré-hipertensão evolua para a hipertensão, uma doença crônica que afeta cerca de 30% dos brasileiros e é um dos maiores desafios de saúde pública no país.





