Juiz criminal há quase 30 anos e professor universitário de Direito Penal, Carlos Eduardo Ribeiro Lemos está em uma cruzada contra o terrorismo imposto por facções no país. Embora suas credenciais sejam sólidas, ele não tem o poder de alterar o cenário de conflitos entre grupos criminosos, como os recentemente registrados em Vila Velha, nos episódios em comunidades de Vitória, ou mesmo no interior. O magistrado propõe mudanças na legislação federal, mas essa função cabe aos deputados e senadores.
Carlos Eduardo destaca que a mobilização da sociedade é necessária para que a classe política atue com mais agilidade. Ele usou sua caneta para escrever o livro “Terrorismo à brasileira. A guerra é real. A cegueira é legal”, lançado na última quinta-feira (14). A obra retrata a atuação dessas organizações criminosas, os riscos para o Espírito Santo — o estado pode vivenciar a realidade do Rio de Janeiro em pouco tempo, se nada for feito — e a proposta de alteração na lei antiterrorismo, que atualmente se concentra em questões religiosas e políticas.
O juiz, titular da 7ª Vara Criminal de Vitória, detalha alguns dos levantamentos que fez em dois anos de pesquisa e trabalho de campo, que o ajudaram a mapear as facções e sustentar seu entendimento sobre a urgência na mudança da lei. Ele espera que o debate se fortaleça antes das eleições de 2026, independentemente de siglas partidárias, relata:
Foram dois anos de pesquisa, levantando informações e dados que eu tenho certeza que o leitor vai achar que eu tinha informação privilegiada, e não é. Tudo o que eu coloco, e provo no livro, está em alguns documentos oficiais, seja no Brasil, seja fora do Brasil, como também analisando notícias que saíram na mídia em algum momento. O interessante é que notícias que saíram, como não atraem a sociedade, não reverberaram. Saiu e parece que nunca saiu. Mesmo que a informação seja tão grave como em relação a uma facção, aquilo saiu, mas ninguém viu.
Então, isso me assusta porque eu vejo a sociedade hoje como se estivesse congelada, não entendendo o que está acontecendo. E (com o livro) esse é o meu objetivo: tentar mostrar essa realidade para que eles entendam e saibam cobrar dos seus representantes.
“Quando há domínio territorial de facções, não há democracia”, ressalta.





