Histórias clássicas da literatura infantil ganharam novas versões dentro do Complexo Penitenciário Rodrigo Figueiredo da Rosa, em Viana. Internos do Centro de Detenção Provisória, que frequentam as aulas de Língua Portuguesa da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio (EEEFM) Nelson Mandela, recriaram personagens e finais de contos famosos com a ajuda da Inteligência Artificial (IA).
A atividade faz parte do projeto “Quem conta um conto, aumenta um ponto” e envolveu cerca de 100 alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA), da quinta etapa do ensino fundamental à terceira etapa do ensino médio. Entre as releituras produzidas, a Rapunzel se transformou em “A Rapunzel da Rampa do Urubu”, ambientada em Viana; “Os Três Porquinhos” viraram “O casamento da porca e o lobo”; e a clássica Chapeuzinho ganhou uma nova versão: “Chapeuzinho Rosa”.
A professora de Língua Portuguesa Sonia Maria Tirre Araújo explicou que o objetivo foi trabalhar o gênero textual conto, abordando estrutura, elementos narrativos e finalidades, permitindo que os alunos criassem novas histórias a partir dos clássicos.
“Os alunos são incentivados à leitura e à criação de novos contos como forma de expressão e desenvolvimento pessoal. Os contos estimulam a escrita como ferramenta para aprimorar a habilidade de comunicação, expressão de ideias, de sentimentos e experiências”, destacou.
Para ilustrar as histórias, os internos contaram com a colaboração da IA, utilizada fora da sala de aula pela professora, já que o acesso à internet não é permitido no sistema prisional. “Realizamos uma conversa com os internos, ouvindo suas opiniões e contribuições. A partir desse diálogo, organizamos os conteúdos de forma estruturada na plataforma de IA e garantimos que o material fosse construído de maneira participativa. O resultado das ilustrações ficou incrível”, disse a docente.
O diretor-adjunto da unidade, Richard de Souza Tancredo, ressaltou a importância da iniciativa.
“Projetos assim têm um papel fundamental, pois vão além do ensino tradicional. Eles estimulam as pessoas privadas de liberdade a perceberem que existe muito mais na vida do que o caminho que os levou à prisão. Ao desenvolver atividades que despertam a criatividade e a reflexão, os internos têm a oportunidade de enxergar novas possibilidades, transformar suas histórias e construir um futuro diferente”, afirmou.
Entre os participantes, a experiência também foi vista como positiva. “Gostei muito de fazer a releitura do conto Rapunzel. Foi inspirador conseguir transformar o conto e poder mudar a história, tornando-a mais divertida e mais perto da nossa realidade, que é a rampa de voo livre. Também criamos um novo final para a personagem, que casou com um cowboy e não um príncipe”, relatou o interno E.S.R., aluno da sexta etapa da EJA.
A educação no sistema prisional é ofertada em parceria com a Secretaria da Educação (Sedu), que leva atividades escolares para dentro das unidades, promovendo inclusão, aprendizado e novas perspectivas para os internos.




