A campanha Abril Verde chama a atenção para a prevenção de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho, reforçando a importância de ambientes laborais mais seguros e saudáveis. No Espírito Santo, os dados acendem um alerta: somente em 2025, já foram registrados 14.434 acidentes de trabalho.
As informações são do sistema e-SUS Vigilância em Saúde (e-SUS/VS) e revelam um cenário que exige atenção contínua das autoridades, empregadores e trabalhadores.
Cenário preocupante
Do total de acidentes registrados, 42% resultaram em incapacidade temporária, enquanto 32% evoluíram para cura. Casos mais graves também foram contabilizados: 15 trabalhadores tiveram incapacidade permanente total e 116 morreram — número próximo ao registrado em 2024, quando houve 113 óbitos.
Segundo o chefe do Núcleo Especial de Vigilância em Saúde do Trabalhador (NEVISAT), Frederico de Freitas, os dados evidenciam desigualdades importantes.
“Homens representam 73% dos trabalhadores acidentados. Entre os óbitos, essa proporção é ainda maior, chegando a 90%. A faixa etária mais atingida pelos acidentes é de 18 a 29 anos, enquanto as mortes se concentram entre trabalhadores de 40 a 49 anos”
Entre as principais causas dos acidentes estão o contato com objetos cortantes, impactos por objetos, quedas e acidentes de transporte, especialmente com motociclistas.
Já os óbitos estão fortemente ligados a acidentes de trânsito, além de quedas e impactos. As profissões mais afetadas incluem trabalhadores da agricultura, construção civil, técnicos de enfermagem, faxineiros e soldadores.
Subnotificação preocupa especialistas
Apesar dos números elevados, especialistas alertam que a realidade pode ser ainda mais grave devido à subnotificação de casos.
“Parte dos acidentes e doenças relacionados ao trabalho não é registrada nos sistemas de informação, reforçando a necessidade de ampliar a identificação desses agravos nos serviços de saúde”
Frederico de Freitas também destacou que acidentes não são eventos isolados.
“A prevenção passa, sobretudo, pela garantia de ambientes seguros, pela organização adequada do trabalho e pela eliminação de riscos nos processos produtivos, e não apenas pelo uso de equipamentos de proteção”
Pneumoconiose é tema de 2026
Neste ano, a campanha no Espírito Santo traz como foco as pneumoconioses ocupacionais — doenças pulmonares crônicas causadas pela inalação de poeiras no ambiente de trabalho, como sílica, carvão e amianto.
Sem cura, essas doenças têm tratamento voltado apenas para o alívio dos sintomas, o que reforça a importância da prevenção.
Para discutir o tema, será realizado no dia 29 de abril, em São Mateus, o IV Simpósio Capixaba de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora, reunindo especialistas, profissionais da saúde e representantes do setor produtivo.
O Espírito Santo se destaca nacionalmente pela forte atuação no setor de rochas ornamentais, atividade diretamente ligada aos riscos de pneumoconioses. Entre 2021 e 2025, foram registrados 98 casos da doença no Estado, com maior concentração nos municípios de Barra de São Francisco e São Mateus.
Mobilização e prevenção
A campanha Abril Verde é marcada por duas datas importantes: o Dia Mundial da Saúde, celebrado em 7 de abril, e o Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes de Trabalho, em 28 de abril.
No Espírito Santo, as ações são coordenadas pela Secretaria da Saúde (Sesa), por meio do NEVISAT, em parceria com os Centros de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST) e os municípios.
Entre as iniciativas estão a capacitação de profissionais de saúde, inspeções sanitárias e produção de materiais técnicos para fortalecer políticas públicas voltadas à proteção dos trabalhadores.
A participação da população também é fundamental. Situações de risco, condições inadequadas de trabalho ou adoecimento podem ser relatadas por meio da Ouvidoria Geral do Estado (https://ouvidoria.es.gov.br/) e do formulário Vigi Trabalhador (https://saude.es.gov.br/vigi-trabalhador), uma ferramenta de participação comunitária que contribui para o fortalecimento da vigilância em saúde do trabalhador.




