A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) divulgou, nesta quinta-feira (29), detalhes sobre a prisão de três suspeitos de integrar uma organização criminosa especializada no golpe do falso bilhete premiado, que causou um prejuízo superior a R$ 200 mil a vítimas no Estado.
Foram presos Luis Fernando do Carmo, Daniela Bottega Oliveira do Carmo e Gabrieli Aparecida de Oliveira Florão. As prisões ocorreram em janeiro deste ano, após investigações iniciadas em novembro de 2025, quando as primeiras denúncias chegaram à polícia.
Segundo as apurações, o grupo atuava de forma organizada e vinha do município de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, para aplicar golpes no Espírito Santo. Inicialmente, dois suspeitos e o veículo utilizado foram identificados, mas as investigações revelaram a participação de pelo menos outros três criminosos, que se revezavam nas ações.
“A partir disso, nós detectamos que se tratava de uma organização criminosa. Continuamos as investigações e passamos a monitorar as ações desses estelionatários”, explicou o delegado Jonathan Lana, adjunto da Delegacia Especializada de Crimes de Defraudações e Falsificações (Defa).
Em janeiro, a polícia identificou que os suspeitos haviam retornado ao Espírito Santo e estavam atuando novamente da mesma forma. Eles foram abordados e presos durante uma operação policial. Com o grupo, foram apreendidos documentos falsos e um aparelho celular utilizado na prática dos golpes.
Os três foram autuados por organização criminosa, e as investigações seguem para identificar e localizar outros envolvidos.
Vítimas
As vítimas do golpe são três idosos, moradores da Grande Vitória.
A primeira, de 81 anos, residente no bairro Jardim da Penha, em Vitória, perdeu R$ 3 mil em um golpe aplicado no dia 3 de novembro.
A segunda vítima, de 84 anos, moradora da Praia da Costa, em Vila Velha, teve um prejuízo de R$ 70 mil. Já a terceira, de 73 anos, também da Praia da Costa, perdeu R$ 129 mil.
Como o golpe era aplicado
O delegado Jonathan Lana explicou que o golpe começava com uma abordagem na rua, geralmente feita por uma mulher jovem.
“Eles abordam a vítima perguntando se conhece algum escritório de advocacia ou advogado para indicar. Normalmente é uma mulher bem-apresentada, que passa a imagem de alguém do interior”, detalhou.
Em seguida, um segundo golpista se aproximava fingindo não conhecer a comparsa. A falsa ganhadora dizia possuir um bilhete supostamente premiado e afirmava ser uma pessoa religiosa, que não conhecia a capital e precisava de ajuda para resolver a situação.
O segundo criminoso então oferecia ajuda, alegando conhecer alguém na Caixa Econômica Federal, que confirmaria o prêmio. Um terceiro integrante, fingindo ser funcionário do banco, confirmava por telefone que o bilhete seria premiado em R$ 3 milhões, mas exigia a presença de testemunhas.
A partir daí, os golpistas convenciam a vítima a ajudar, alegando que a suposta ganhadora não ficaria com o prêmio por motivos religiosos e que o valor seria dividido.
“O outro estelionatário sugere dar um valor para pagar pelo bilhete e fica instigando a vítima. Eles têm muita lábia para convencer”, ressaltou o delegado.
Para reforçar a farsa, o comparsa simulava pagar uma quantia como garantia, mostrando uma mala com dinheiro, cuja autenticidade é desconhecida. Convencida, a vítima realizava transferências bancárias. Após isso, os criminosos encerravam o golpe, alegando que o valor do prêmio seria liberado em alguns dias.




