A Polícia Civil concluiu o inquérito sobre um crime de extrema repercussão no bairro Nova Bethânia. As investigações confirmaram que um adolescente de 15 anos foi o mentor intelectual de uma emboscada que resultou na morte do próprio ti o e em um atentado contra a vida de seu pai, um pedreiro de 36 anos. O crime foi uma retaliação direta após a família tentar retirar o jovem e seu irmão, de 13 anos, do convívio com o tráfico de drogas.
O drama familiar atingiu seu ponto crítico no dia 26 de agosto de 2025, quando o pedreiro buscou os dois filhos em Cariacica e os levou para Viana, na esperança de convencê-los a abandonar a criminalidade. Na ocasião, o pai chegou a se oferecer para quitar as dívidas que os menores possuíam com os traficantes locais, buscando uma saída pacífica para os jovens.
“Conversei com o mais novo e ele falou que tinha dívidas a pagar. Eu ofereci o dinheiro para pagar, contanto que meus filhos não ficassem na boca de fumo. O mais novo pediu para ir para minha casa. Eu paguei o Uber e ele foi. Conversei com o mais velho e ele falou que iria largar esse tráfico.”
A Emboscada e a Traição
Apesar do acordo inicial, o filho mais velho, de 15 anos, manteve contato com o grupo criminoso conhecido como “VLK”. Sentindo-se pressionado pela intervenção do pai, o adolescente passou informações privilegiadas aos traficantes, facilitando o ataque armado. Durante a ação, o irmão do pedreiro — que trabalhava como jardineiro e já havia abandonado o crime há anos — foi executado. O pai também foi alvo dos disparos, mas sobreviveu e hoje carrega as marcas físicas e emocionais do episódio.
A investigação da Polícia Civil identificou Daniel Amorim Prata, de 24 anos, como o executor do assassinato e gerente do tráfico na região. Ao todo, sete adultos foram indiciados por homicídio consumado, tentativa de homicídio, organização criminosa e corrupção de menores. O mentor de 15 anos foi apreendido e responderá por ato infracional análogo aos mesmos crimes.
Mesmo após descobrir que sua morte foi encomendada pelo próprio filho, o pedreiro manifestou um desejo profundo de que o ciclo de violência seja quebrado. Ele relembrou a infância dos meninos, que eram descritos como educados e religiosos antes do envolvimento com o grupo criminoso.
“Eu espero que eles voltem a ser o que eram: os meninos bons, educados, os meninos que não me davam trabalho, os meninos que estavam sempre me ajudando, sempre indo à igreja, lendo, brincando.”
O sobrevivente reforçou que sua motivação sempre foi evitar que os filhos tivessem o mesmo destino trágico que ele presenciou no passado. O caso agora segue para o Poder Judiciário, enquanto o pai busca apoio do Conselho Tutelar para tentar resgatar o filho mais novo, que recentemente foi visto novamente em pontos de venda de drogas no bairro Arlindo Villaschi.




